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Ficha da Caçadora Annabel Baudelaire

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Ficha da Caçadora Annabel Baudelaire

Mensagem por Annabel Baudelaire em Ter Maio 14, 2013 8:41 am

Nome Completo: Annabel Baudelaire
Idade: 17
Raça: Humana
Espécie: Nenhuma
Progenitor: Marco Baudelaire
Progenitora: Marya Baudelaire
Possui algum irmão ou irmã? nenhum
História da Personagem: O vento fresco batia em meu rosto e bagunçava meus cabelos, enquanto a paisagem passava ligeira do lado de fora da janela. Essa é a principal imagem que tenho da minha infância. Vivíamos dentro da cabine dupla de um Ford Cargo prateado, que chamávamos carinhosamente de Cigano. As carrocerias mudavam de acordo com as entregas, as vezes eram alimentos, as vezes produtos como madeira e até areia, mas de qualquer forma, vivíamos cruzando o pais, na maior velocidade possível.

Minha mãe já tinha 46 anos, mas parecia nunca envelhecer, tanto fisicamente quanto mentalmente. Estava sempre estudando e fazendo pesquisas, ou cuidando da contabilidade e dos nossos gastos. Passava a maior parte das viagens lendo romances Ela se chamava Marya. Meu pai era um sujeito bem gordo e alto, de pele bronzeada pelo sol. Geralmente vestia a mesma calça jeans surrada, que por milagre não rasgava de vez, uma jaqueta jeans e uma blusa de botões quadriculada. Ele se chamava Marco. Costumava ser alegre, mas era quase paranoico com nossa segurança, principalmente quando estava fazendo alguma entrega contrabandeada.

Lembro perfeitamente de quando tudo começou a ruir. Havíamos acabado de completar uma viagem para West Virginia, e recebemos um pagamento bastante generoso, por isso minha mãe propunha que alugássemos algum apartamento na cidade afim de descansar. Era algo parecido com férias, adorava esses períodos, pois nos uníamos mais e parecíamos uma família comum, o que para mim, era o fugir da rotina.

Não encontramos um apartamento, mas algo melhor. Um senhor alugava quartos em seu casarão, situado numa das fazendas da periferia da cidade. O senhor se apresentou como Horst, e insistiu que o chamássemos assim. O casarão era muito aconchegante, com pisos e detalhes de madeira escura e nobre, além de quartos espaçosos e simples. No meu havia uma grande janela, e lembro-me de ficar sentada, com os pés para fora, até o cansaço me vencer. Nem cheguei a arrumar minhas poucas malas nos armários, e nem pretendia, pois não valia o esforço para ficar tão pouco tempo. As estrelas ali pareciam muito mais brilhantes!

Acordei cedo, animada para explorar a cidade. Olhei para o rádio-despertador, que ainda marcavam 5:50. Era uma garota matinal, adorava sentir o ar gelado da manhã invadir meus pulmões depois de respirar bem fundo. Vou tomar um banho rápido e desço para o andar de baixo. Para a minha surpresa, todos já tinham levantado, e mais, a mesa do café estava posta. Como algumas frutas e sorrio para o meu pai. Ele explica ao senhor Horst que treinamos tiro ao alvo, e pede para praticarmos em um lugar isolado da fazenda. Primeiramente, o senhor Horst olha desconfiado, mas logo sorri e assenti, fazendo algumas perguntas básicas. Parecia até curioso, mas não pediu para nos acompanhar. Após alguns minutos, nos retiramos da mesa e vamos até o caminhão, para pegar o equipamento. Como já disse, meu pai é um pouco paranoico com segurança, por isso ensinou a mim e minha mãe a atirar, como eu gostei, começamos a praticar tiro ao alvo.

Espalhamos o alvo e nos afastamos vários metros. Tínhamos duas pistolas. Começamos a atirar. Eu já era muito boa nisso, havia ganhado até um prêmio, em um dos concursos que entrei. Depois começamos um exercício mais complexo, amarrando bexigas verdes e vermelhas juntas, para pendurarmos a distância. A verde era nossa aliada, a vermelha nossa inimiga. Devíamos atirar na vermelha sem estourar a verde, o que era difícil, pois o vento balançava as bexigas, dificultando em muito a mira. Dos 5 tiros, consegui acertar a vermelha 4 vezes. Era uma boa estatística. Meu pai acertou as cinco, mas ele treinava desde que tinha a minha idade. O sol já estava quase em seu pico quando guardamos o equipamento e fomos almoçar. Horst nos precavera que os almoços saíam cedo, assim como os café da manhã.

- Você foi muito boa hoje querida, só lhe faltou instinto naquele tiro errado, você deixou de observar o vento e se concentrou apenas no alvo. Que bom que notou seu erro sozinha.

- Obrigada. - Sorrio - O que será que tem para o almoço?

Descobrimos pouco tempo depois, pato assado. Nunca havia comido, mas assim como outras comidas excêntricas que experimentei, tinha gosto de frango. Depois do almoço estudo um pouco. Obviamente não frequentava a escola, mas tinha aulas com minha mãe e lia muitos livros que ela comprava. Podíamos dizer que era bem mais avançada em História, Lógica e Matemática que os alunos da minha idade, mas em compensação, estava muito atrasada nas demais matérias. Mas gostava de ser independente na minha forma de aprender, ao invés de treinada como um animal.

Termino de estudar duas horas depois. Aviso a minha mãe, que escrevia alguma coisa freneticamente, que daria uma volta na cidade e voltava no por do sol. Ela não respondeu, mas acho que ouviu, Saio sorridente, e não me importo pela longuíssima caminhada que tenho que fazer para chegar até a cidade. O primeiro lugar que avisto é uma pequena padaria. Caminhar tanto me deixou com fome, por isso compro um pão doce e um refresco. Ando por praticamente tudo, anotando mentalmente a localização dos lugares que mais acho interessante. Havia um mini-shopping, uma loja de câmeras digitais, pretendia pedir uma a minha mãe, já que a nossa quebrou algumas semanas atrás. Um pequeno teatro comunitário também chama a minha atenção. Quando minhas pernas começam a arder, faço meu caminho de volta para a fazenda, e é quando eu a vejo. Uma garota de cabelos negros, vestida de forma esdrúxula, empunha um arco e parece procurar algo. Ela está dentro das propriedades do sítio, então imagino que ela morasse ali por perto, por isso dou uma corridinha até ela, gritando:

- Ei, você, espera! - Ela me fita de olhos arregalados, quando comento, tentando prende-la num dialogo - Bonito arco! Me ensine a usa-lo.

Ele permite que eu me aproxime e diz:

- Consegue ver meu arco? Minha armadura?
- Sim - respondo, um pouco encabulada.
- Então é melhor esquecer.

A garota começa a correr por entre a vegetação, rápido demais para eu acompanha-la, e acabo perdendo-a de vista. Ofego, pois havia corrido em vão atrás dela. Estava muito confusa, mas aceito o fato e simplesmente volto para o casarão, mais cansada do que esperava. Conto o acontecido e arranco algumas risadas dos qu estavam a mesa. O senhor Horst não parece se preocupar com um invasor em seu terreno. Vou dormir cedo, devido a um dia tao cheio de novidades.

Como você entrou para a caçada? As coisas aconteceram muito depressa naquelas "férias". As lembranças são confusas e caóticas, mas tente entender que estava chocada e desesperada demais para fazer minhas anotações mentais e registrar os fatos de maneira coerente. Lembro-me ter ido dormir cedo naquela noite, assim que pedi licença da mesa, pois havia passado boa parte do dia andando pela cidade, o que causara uma certa exaustão. Dormia um sonho pesado e sonhava com fatos passados, misturados, como do dia que atropelamos um cachorro, mudando para o dia em que quase entramos em uma desventura, durante a entrega de uma carga contrabandeada, mudando para o dia do torneio de tiros que eu ganhei. Mas o sono foi interrompido da pior maneira possível, por gritos estridentes, desumanos.

Vou até a janela, pois uma chuva forte caía. Não me lembrava de ter visto nuvens no céu, mais cedo, mas dou de ombros e começo a fecha-la. Ouço outro barulho assustador e finalmente percebo que não são os sons da chuva, monstros enormes, maiores que a casa de dois andares, pisoteiam o jardim. A pele dos monstros é meio azulada, e, não dá para acreditar, eles são gigantes!

Fecho a janela, horrorizada. Meu coração dispara e não consigo me acalmar. Minhas pernas bambeiam como vara verde. Arrisco mais uma olhada e percebo figuras prateadas correndo em volta do gigante. Parecem insignificantes, criancinhas, mas estão armadas com arcos e flechas, parecidos ou iguais ao da menina que tinha visto mais cedo, quando cheguei no sítio. Elas atiram flechas, alumas explodem, outras soltam gazes verdes, e o gigante logo cai, mas não sem antes destruir metade da casa com um soco. Vejo o golpe em câmera lenta. Sinto minha vida sair de mim e voltar, para me puxar para fora. Aquele maldito golpe. É aqui onde as coias começam a ficar mais caóticas. As paredes racham, mas resistem, o teto é totalmente destruído. Caio no chão, amedrontada, e sou atingida por algumas pedras e outros escombros, mas não me firo gravemente, ainda assim não consigo me mexer e dor é apenas o que sinto.

Outro grito desumano é ouvido, e sei que preciso fugir dali o mais rápido possível. Penso nos meus pais e corro para o corredor, para ver se eles estão bem, mas a porta está bloqueada pelos escombros. Grito por socorro, o mais alto que consigo, mas não parece adiantar em nada. Lágrimas rolam pela minha face. Ouço um barulho na janela e me encolho, olhando na direção em busca de algo que possa me defender. Era a garota que eu vi mais cedo. Ela ainda segura o arco e seus maxilares estão cerrados com notável raiva. Grito:

- Se afaste! - E taco a primeira coisa que alcanço, um jarro de flores artificiais, que enfeitava o comoda. Erro, e a garota grita de volta.
- Estou aqui para ajudar. Tenho que tira-la daqui, por favor, colabore.
- E meus pais? - Ela abaixa a cabeça por um breve momento e cerra os punhos sutilmente, mas eu consigo perceber. Ela levanta os olhos e diz, com uma nota de mais urgência:
- Precisamos ir agora. - Ela avança para cima de mim e aperta meu braço com força, mas eu simplesmente não reajo. Não quero reagir a nada naquele momento. Isso simplesmente não pode estar acontecendo, e eu quero acordar nesse mesmo instante, mas sei que não estou sonhando. Meus músculos não ardem de dor enquanto eu sonho, e estão agora. A garota me puxa para a janela e me coloca em suas costas, segurando meus braços por cima de seu ombro, depois salta uma altura incrível, caindo com os pés juntos. Ela continua a correr, e me leva para a estrada, dizendo:

- Corra para longe, AGORA! - E se volta para a outra criatura azul, que aparece por trás do casarão, brandindo um tronco de arvore, aparentemente arrancado do chão. A garota prepara uma flecha no arco e parte em disparada na direção do monstro. Ainda estou em estado de choque, mas logo vou me recuperando, e uma raiva que nunca tinha sentido antes toma conta de mim, Tremo, quase com um espasmo, mas logo deixo todo o nervosismo de lado. Elas tinham arcos e flechas, eu tenho duas pistolas, e nunca tinha visto uma ora melhor para usa-las. Corro em direção ao caminhão e abro a porta de carga digitando a senha o mais rápido que consigo. Carrego as pistolas e olho para ver aonde está o gigante. Eles golpeia e grita de dor ao ser atingido por inúmeras flechadas das garotas.

Nunca tinha sentido que estava no controle de todas as minhas ações, como agora. É como se me visse de fora, observando com mais cuidado a situação que me cerca. Corro em direção ao casarão e assim que o gigante fica a vista, atiro, descarregando um cartucho bem na cabeça dele, com cuidado para não atingir as garotas, mas para a minha surpresa meus tiros não parecem fazer nenhum efeito no monstro. Ainda assim continuo a atirar, até o outro cartucho também acabar, e sou puxada pelo braço por um garota que ainda não conheço. O gigante cai em instantes depois, e simplesmente desaparece, virando uma poeira dourada. Olho em volta e noto que o corpo do outro gigante também não está a vista. Agora deixo o medo e a tristeza me alcançarem de novo, e choro enquanto ainda sou puxada pela outra garota. Ela me senta e logo me vejo coberta com um cobertor de pele. O pequeno grupo de garotas se reúne por perto, mas evitam olhar para mim. Prefiro assim. Elas conversam e se lamentam, algumas conferem quantas flechas ainda carregam em seus alforjes.
Uma garota anda na minha direção e se senta ao meu lado, ficando ali, em silêncio, por algum tempo. Depois ela diz:

- Você agiu como uma guerreira hoje, e tem uma ótima mira. Venha, se junte a nós, a caçada de Ártemis.

Arregalo os olhos. Caçada de Ártemis? Notando meu olhar, a garota explica, de forma resumida, que elas caçam monstros, que os deuses e muitas lendas são reais, e que ela era a própria Ártemis. Como prova disso, ela faz brilhar uma pequena lua na minha cabeça, e me convida novamente, estendendo as mãos. Toco suas mãos delicadas e a seguro firmemente, ainda em estado de choque, mas aceito entrar na caçada, tudo o que quero agora é caçar esses monstros.
Primeira caçada: Duas semanas se passaram desde que me juntei a caçada. Tais semanas passaram muito rápido, e eu ainda estava abalada pela minha morte. Sim, minha morte, a Annabel Baudelaire morrera junto com seus pais, naquele casarão, naquela noite. Eu mudei muito nesse pequeno período de tempo, como se finalmente tivesse aberto os olhos para o mundo. O fato de ser uma das caçadores de Ártemis, de deuses gregos existirem e dos mortais simplesmente não poder vê-los começa a soar familiar, embora eu ainda não compreenda a famosa "névoa". Também treinei exaustivamente durante esse tempo todo, tanto tiros de arco e flecha, quanto lutas, corridas, esquivas e caça a animais. Meu arco era totalmente desprezível, em comparação ao delas, de madeira não tão nobre e ligeiramente mais curto, mas eu sabia que ainda ganharia o meu arco, que aquele era só para treinos.

Elas constataram que, assim como Ártemis havia dito em nosso primeiro encontro, eu tinha ótima mira. Só me faltava mesmo jeito para atirar flechas, mas eu peguei o jeito rápido. Minha forma física ainda era regular, mas ainda assim, naquela noite, a deusa Ártemis reuniu as caçadoras em torno da fogueira e falou:

- Boa noite meninas. Vamos a um momento muito especial. Annabel, levantes por favor. - Meu coração dispara e eu levanto de imediato, respondendo um "Sim senhora" automático e indo até ela. Ela espera calmamente e depois volta a falar - Bom, Annabel, você tem se mostrado muito determinada, e é com honra que irei presenteá-la. Primeiro, com a verdade. Acabamos caindo em uma armadilha muito bem arquitetada pelos lestrigões, e isso veio ocasionar a destruição de sua casa e a morte de seus pais. Amanhã iremos destruir os lestrigões sobreviventes, e vocês conosco, pois sinto em seu coração sede por vingança - Ela respira, sorrindo e olhando para mim, com seus olhos penetrantes - Irei presenta-la com seu arco, mas antes você deverá jurar lealdade a mim, assim como todas fizeram. Será uma caçadora agora.

Me ajoelho e solenemente digo - Juro minha lealdade a ti, Lady Ártemis. - Ela toca com o arco na lateral do meu braço, e diz:
- Faça bom uso dele. - E sorri. As outras caçadoras festejam, gritando e me parabenizando. Amanhã eu finalmente iria ver aquelas criaturas novamente.

Estamos correndo o mais rápido que a neve alta permite. Nossos lobos seguem a trilha dos monstros, que deixaram o seu esconderijo antes de chegarmos. Cada caçadora tem um lobo, menos eu, que ainda não cacei um. Eles estão quase 100 metros a frente, nos guiando. "Contato visual', ouço uma voz feminina gritar,e sei que já podemos avistar os monstros. Como eles são gigantescos, isso não significa que estamos próximas o suficiente ainda, mas que já é hora de nos prepararmos para atirar. Sem parar de correr, estivo a mão até meu alforje e pego uma flecha, consigo equilibrá-la no fio do arco na segunda tentativa, e a mantenho retesada, para ser lançada na hora certa. Apertamos o passo e finalmente os monstros desistem de fugir, virando para nos encarar, três deles. Os lobos logo os cercam, mas se afastam.

Assim que ouço o sinal, salto e disparo. Enxergo o alvo exato, onde quero atingir, por décimos de segundo e tento acerta-lo. Não consigo ver se acertei, pois precisamos nos reagrupar e agir em grupo, para evitar baixas. Acompanho uma das caçadoras, correndo para trás, para proteger a nossa retaguarda. Agora estamos muito próximas do lestrigão, que já sangram e urram, tentando nos esmagar com os pés e socos raivosos. Acerto uma flecha em seu tornozelo. O projétil quase some dentro do corpo do lestrigão, atravessando ossos como se esses não existissem. A outra caçadora lança uma flecha logo atrás, que acerta o joelho do monstro e então uma flecha explosiva o acerta no peito, fazendo-o cambalear. Nos dispersamos, para não sermos esmagadas pela queda do corpo. Assim que o monstro cai não chão, pego a única flecha explosiva que me concederam e disparo contra sua cabeça, fazendo-o explodir em poeira dourada.

Uma estranha sensação de satisfação e regozijo me atingem, e um sorriso lateral surge em meus lábios por um instante, mas logo desparece, pois volto a me concentrar na batalha. Um grupo tão pequeno de lestrigões não tem a menor chance contra nós, quando formamos uma equipe. Olho e vejo que resta apenas mais um, então corro para perto dele, e de mais longe lanço uma flecha, que acerta a barriga do lestrigão em cheio. Lanço mais uma, que atinge seu peito, e depois me afasto, pois lançaram uma flecha explosiva no joelho do gigante. Ele cai e logo é mais uma saraivada de flechas o atinge, transformando-o em poeira dourada.
Caçada ao mascote:

Os lobos eram animais perfeitos para a caçada, por isso sempre nos acompanhavam. Cada caçadora tinha um, embora todas cuidassem de todos. Eles, além de trazer certa distração, eram muito úteis, farejando rastros além da nossa capacidade, encontrando alimentos e até mesmo em batalhas. Gostava muito de cuidar deles, mesmo quando não tinha nenhum, por isso perguntei como eu poderia ter meu lobo também. A resposta foi bem clara, para que um lobo lutasse ao meu lado e teria que provar meu valor a um deles, e então ele seria a criatura mais leal a mim.

- Aproveite que estamos no norte, Annabel, e vá logo. Estaremos indo para o sudoeste daqui a alguns dias!
- Sim, vou pedir permissão a Ártemis. Obrigada.

Passei a noite arrumando minhas coisas. Algumas caçadoras me deram flechas tranquilizantes e normais, pois as minhas eram feitas para ferir monstros e não seres mortais. Também afio a minha adaga e a escondo dentro da minha boca, pedo também cordas e um kit com ambrósia e néctar. Recebo muitas instruções, elas explicam que os lobos andam em alcatéias, e quando estão juntos são muito mais perigosos, por isso eu teria que desafia-los. O líder da alcatéia geralmente aceita um desafio tão pessoal, para proteger os outros, por isso ele é o mais fácil de ser atraído, porém o mais perigoso também. Lobos solitários são bem difíceis de serem encontrados, mas geralmente ou são jovens e fortes, ou velhos e derrotados. Explicam também os territórios dos lobos daquela região.

Algumas horas antes do por do sol eu arrumo minha pequena bagagem e parto em direção ao bosque, com a benção de Ártemis. Sigo a trilha indicada pelas caçadoras, andando a passos largos, para esquentar meu corpo, pois minhas mandíbulas não param de tremer. O frio não seria capaz de me impedir. Coloco parte da bagagem em uma pequena caverna, nem próxima a ninhada de filhotes de uma das maiores alcatéas do bosque.

Pego somente meu arco, meu alforje e minha adaga. O resto iria atrapalhar mais que ajudar, pois tiraria minha liberdade de movimento e velocidade. Noto que o mau cheiro da caverna provém de ossos e carnes. E pior que isso, a caverna é bem mais funda do que imaginei. Por um momento me desespero, pois havia trago apenas flechas para os lobos, caso algum monstros habitasse o local eu estaria morta! Minha mão voa para o alforje mesmo assim quando ouço um ruído, seguido de um latido feroz.

Um sorriso nasce em meu rosto. Como sou sortuda! Um lobo branco como a neve está bem diante de mim, com os dentes a morta e olhar raivoso. Me apaixono pelo seus olhos, mesmo quando esses poderiam me matar. Atiro a flecha e o lobo desvia habilmente, correndo em minha direção com uma ferocidade notável. Definitivamente não é um lobo velho e derrotado. Provavelmente um jovem, em busca de conquistar alguma alcatéia, mas dificilmente lobo albinos conseguem se manter líderes, pois não se encaixam na tática de camuflagem e cercamento dos lobos.

Mal tenho tempo de me esvair e correr mais para o fundo, afim de pegar minha adaga na bota. Iria lutar com ele, corpo-a-corpo. Grito em resposta a um rosnado que o lobo dirige a mim e quando ele parte para cima de mim, também vou para cima dele. Desvio dos seus dentes e enfio a adaga em suas costas. O animal rugi e salta para cima de mim, com incrível força, me derrubando no chão. Sinto uma dor aguda nas costas, pois caí em cima de uma rocha. O lobo se debate freneticamente, não deixando eu reagir de forma consciente e não tarda para eu sentir uma dor muito mas forte que a primeira. Os dentes do lobo se cravam em meu antebraço e repuxam minha carne com muita violência. Grito, sentindo minhas forças se esvaírem, mas ainda assim cravo a adaga perto do flanco do animal e rasgo.

Um grunhido de dor também escapa do lobo e ele relaxa a mordida por um momento. Também tiro a adaga de seu corpo e o empurro com meu braço que ainda presta, fazendo força na ferida, para evitar resistência. Era cruel, mas deu certo. Consigo me levantar e o lobo também tenta, mas não dá, ele já sangra muito. Me desespero por um momento, quando nossos olhos se cruzam, Passo por ele e vou até o kit de ambŕosia e néctar. Corro de volta e o faço engolir. O animal não tem forças, por isso não consegue morder a minha mão. Não exagero a quantidade, mas sinto ele recuperar as forças aos poucos. Depois me livro da minha capa e faço um torniquete na ferida maior, que ainda sangra.

O frio arrepia a minha pele instantaneamente. Também como parte da ambrósia e néctar, para me recuperar dos ferimentos. Depois pego novamente a adaga e olho para o lobo. Ele já consegue se levantar, mas está debilitado pelos ferimentos que eu o infringi. Pego minha corda e amarro em seus pescoço, delicadamente. Ele reluta no começo, mas logo cede, quando percebe que não lhe farei mais mal.

- Vamos amigão. Você me ajudará muito daqui para frente, Kiba. - Não sei de onde tirei o nome, simplesmente surgiu. O levo para o acampamento das caçadoras, a um passo lento, para não prejudica-lo. As caçadoras e eu cuidamos melhor dele, quando chegamos. Em poucos dias eles está totalmente curado de seus ferimentos. Seu pelo, agora novamente limpo do sangue, brilha como a neve. Ele é simplesmente perfeito. E realmente se tornou leal, não gosta de ser afagado, mas me acompanhar em caçadas parece ser a diversão dele.
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